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Prêmio Coopetrol Regional: da atuação individual para a empresa familiar

Quem vê um empresário bem-sucedido, à frente de uma rede composta por 75 postos de combustíveis e uma transportadora com 60 caminhões e 1700 funcionários, não imagina que a sua longa carreira de sucesso se iniciou precocemente aos nove anos de idade. Ildo Buffon ingressou no mercado de trabalho ainda menino, como cobrador de ônibus ao lado do pai, que tinha uma pequena empresa no ramo e trabalhava como motorista em Serafina Corrêa, na Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul. De lá para cá, passaram-se mais de 40 anos de atuação, que será homenageada com o Prêmio Coopetrol na categoria Regional, durante o 19º Congresso Nacional e Latino-Americano de Revendedores de Combustíveis, no dia 30 de setembro, em Gramado.

Mas, muito antes de se tornar um revendedor de destaque, a porta de entrada para o mundo dos negócios aconteceu aos 18 anos, com uma vaga no Banco Bradesco, empresa onde ficou por 23 anos e teve várias atribuições, em diversas gerências e diretorias regionais. Quarto filho de um total de nove irmãos, embora o trabalho no banco fosse reconhecido e destacado, Ildo chegou à conclusão de que precisava optar por algo definitivo para si mesmo. “Em paralelo a isso, o negócio montado pela família, onde eu participava de `coração´, colocando meu espírito empreendedor, já tinha 15 anos”, relembra o empresário. Segundo ele, na época, a Buffon contava com 400 funcionários e 20 postos de combustíveis. “Eu estava cuidando do dinheiro dos outros e colocando gente para cuidar do meu. “Assim, tomei a decisão de me inserir realmente no negócio”, revela.

Ao sair do banco, Ildo se juntou aos irmãos que já estavam na empresa – Rosélio, Jair, Loreno e Lauro. “Na verdade, a história da empresa teve seu início em Encantado, quando um cliente do banco, que queria vender um posto, não arrumava comprador. Eu acabei convencendo o meu pai a colocar parte do valor que ele tinha preso no Collor (ex-presidente Fernando Collor, que confiscou depósitos bancários e cadernetas de poupança logo ao assumir o governo) na compra deste posto. De acordo com ele, além de convencer o pai a investir na compra do posto, percebeu que, em conjunto com seus irmãos, poderiam desenvolver uma empresa familiar, ou seja, o próprio negócio . “A Buffon nasceu de uma oportunidade justamente em um período que ninguém tinha dinheiro no bolso, porque o Collor tomou o dinheiro de todo mundo. E de um posto, logo surgiu o segundo, o terceiro e o quarto. E assim, cada irmão cuidava de uma unidade, até que começamos a contratar gerentes para poder ir para o quinto, para o sexto, o sétimo”, recorda com orgulho.

O crescimento da empresa

Sobre a proporção que a rede viria a ganhar anos mais tarde, Ildo confessa que não imaginava que iriam tão longe. “Era uma oportunidade de negócio, pensando em crescer, sim. Mas, naquele momento, era apenas uma ideia, a vontade de empreender”, conta.

Vida na revenda

Sobre os desafios de ser revendedor de combustíveis, hoje Ildo aponta a atual política de preços da Petrobras como um dos entraves. “Ela está alterando o preço todos os dias. E o Rio Grande do Sul está vivendo um momento de bandeiras brancas, de atuação de outros postos que antes não se inseriam de forma tão agressiva neste mercado”, diz.

Na opinião dele, antes, o segmento da revenda de combustíveis vivia um “mar calmo” e, hoje, “o mar está turbulento”. “Todo o dia, você tem que calibrar tudo. Teus custos, preços de venda, de compra, negociações diárias com companhias distribuidoras para poder tentar tirar um pouco de proveito, fazer a administração de estoques, de logística”, relata.

Outra dificuldade do setor, na visão de Ildo, é o crédito. “A rodovia tem 70%, 80% das vendas em crédito direto, com risco iminente. Ao contrário da cidade, que tem 80% de venda a crédito, mas sem risco. Você vende com cartão de crédito, tem uma taxa, um custo embutido no negócio, mas vai receber os valores. E na rodovia não se sabe se irá receber”, compara.

Além de ter que administrar esses riscos, o empresário também sinaliza as exigências que o ramo varejista de combustíveis recebe por parte dos órgãos públicos. “Nunca tivemos um momento tão difícil quanto agora com relação à burocracia. É legislação, fiscalização e os mais variados órgãos fazendo exigências que fogem da realidade”, reivindica.

Vida sindical

A primeira participação de Ildo no Sulpetro foi como diretor de Rodovias. Convidado por Rosélio para substituí-lo no cargo, ele acabou aceitando a nova função. “O envolvimento sindical é extremamente importante. Uma representação sindical faz a diferença, pois você tem influência para poder colocar os teus pensamentos e as tuas realidades para quem está legislando, porque, muitas vezes, ele não sabe exatamente como que é na outra ponta”, afirma.

E, em 2014, Ildo assumiu como um dos cinco vice-presidentes do Sindicato. “Cada vez mais, o dirigente sindical terá que ser realmente um representante que faça a coisa acontecer, que mostre o que está fazendo para poder angariar sustentação à entidade”, avalia.

Prêmio Coopetrol

A longa atuação no Banco Bradesco rendeu a Ildo vários reconhecimentos individuais pelas campanhas e projetos durante os 23 anos em que esteve na empresa. “Mas, dessa vez, é diferente. É uma distinção que, ao mesmo tempo, me gratifica e me traz uma responsabilidade, que me marca bastante”, confessa o revendedor homenageado na categoria Regional.

Para ele, a partir do momento em que assumiu como vice-presidente do Sulpetro e, agora, que irá receber o prêmio, a responsabilidade aumenta cada vez que for se colocar perante uma autoridade, o consumidor, algum colega do Sindicato ou com os associados. “É um orgulho receber este prêmio, é uma gratificação. É um reconhecimento pelo trabalho que a Buffon desenvolveu ao longo de seus 27 anos. Todos nós construímos isso”, resume.


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